40 anos da recuperação de A marquesa de Santa Cruz
Um episódio memorável na história da Uría Menéndez
16 de Abril de 2026No passado dia 9 de abril assinalaram-se 40 anos da recuperação da obra de Goya A marquesa de Santa Cruz, um marco que representou um antes e um depois na defesa do nosso património histórico e que faz parte da história da Uría Menéndez.
Nesse processo, Rodrigo Uría — juntamente com a equipa do Escritório — teve um papel determinante na estratégia jurídica pro bono que permitiu o regresso da obra a Espanha, em 1986, após uma complexa disputa judicial nos tribunais britânicos.

A história do quadro é, por si só, extraordinária. Pintado por Goya no final do século XVIII, o retrato esteve prestes a ser oferecido por Franco a Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, embora tenha permanecido em Espanha. Décadas mais tarde, em 1983, foi vendido e retirado ilegalmente do país com recurso a documentação falsificada. Após passar por Zurique, Los Angeles e diversas estruturas societárias internacionais, reapareceu em Londres, onde iria ser leiloado na Christie’s. Foi então desencadeada uma estratégia jurídica, coordenada por Rodrigo, que culminou na recuperação da obra em abril de 1986.
Por ocasião deste aniversário, o Museu do Prado, com a colaboração da Uría Menéndez, organizou diversas iniciativas comemorativas. Entre elas, uma conferência de Miguel Satrústegui —? então secretário-geral técnico do Ministério da Cultura, dirigido por Javier Solana — dedicada à história do quadro e à sua recuperação.
Além disso, o Museu expõe, de forma excecional, o original juntamente com uma das suas cópias na sala 38, proporcionando uma oportunidade única para contemplar ambas as obras em diálogo e de compreender o aspeto do quadro no momento da realização da réplica.
O Prado disponibilizou também uma apresentação interativa, altamente recomendável, que percorre a história completa do quadro e o seu complexo percurso: https://www.museodelprado.es/museo/publicacion/la-historia-de-la-marquesa-de-santa-cruz/61051593-388e-0205-bd07-4178d3c9a7e8.
Quem desejar assistir à conferência proferida por Miguel Satrústegui no museu, no passado dia 13, pode fazê-lo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=yVd_mOZVMzY.
Quarenta anos depois, a presença do quadro no Prado continua a ser motivo de satisfação coletiva e recorda-nos uma forma de exercer a advocacia que nos define: rigor jurídico, compromisso institucional e serviço à cultura.